O papel do consultor na solução de problemas complexos
Uma multinacional, líder do seu segmento no Brasil, convivia há anos com problemas em um projeto que não gerava resultados consistentes. Alguns meses depois, com ajuda da Pratika, o mesmo projeto recebeu a maior premiação interna, sendo reconhecido como referência da empresa em função dos resultados alcançados.
Não chegamos com todas as respostas prontas. Em vez disso, estruturamos o processo de compreensão do problema e de construção das alternativas de solução. O segredo da evolução do projeto foi atuar com método, resiliência e, principalmente, persistência.
Problemas antigos pedem olhares novos
Em determinados projetos no ambiente corporativo, existe um momento silencioso em que as dúvidas começam a se tornar incômodas: “E se esse problema simplesmente não tiver solução? E se a equipe não for capaz de resolvê-lo?”. Muitas vezes é o momento em que a consultoria é acionada.
O papel da consultoria, portanto, é introduzir método, organização e novas perspectivas para temas que a empresa já não consegue mais analisar com distanciamento. Em muitos casos, o valor do consultor está menos em “saber tudo” e mais em conduzir um processo qualificado de investigação, gerando avanços progressivos e sustentáveis.
Leia o post “Como a Pratika atua no mercado?”
Por que certos problemas permanecem sem solução por tanto tempo?
Praticamente toda organização convive com questões que se prolongam no tempo: temas amplamente conhecidos, mas que não são efetivamente endereçados ou não encontram solução definitiva. Na maioria das vezes, o que mantém esses problemas ativos é a ausência de condições reais para tratá-los de forma estruturada. Entre elas:
- Escassez de tempo dedicado – as equipes estão concentradas em garantir a operação diária, o que reduz o espaço para análises profundas e trabalhos de transformação;
- Visão comprometida por viés e hábito – quem convive com o problema há anos tende a normalizar parte dos sintomas e a enxergar o tema sempre pelos mesmos ângulos;
- Falta de método estruturado – as tentativas de solução se traduzem em ações isoladas, sem um processo consistente de diagnóstico, priorização, teste e ajuste.
É justamente nesse contexto que a atuação de um consultor pode trazer contribuição, oferecendo uma análise independente, estruturando o trabalho e conferindo ritmo à execução.
Quando a solução não é evidente
Em situações complexas, o elemento decisivo não costuma ser uma ideia inovadora isolada, mas a decisão de não paralisar diante da incerteza.
Em vez de concentrar esforços na busca imediata por uma solução final, é mais eficiente desenhar uma sequência de passos viáveis, capazes de aproximar a organização de alternativas promissoras. Isso envolve questões como:
- Quais são as hipóteses mais plausíveis sobre as causas do problema?
- Quais dados ainda não existem e precisam ser produzidos para qualificar o diagnóstico?
- Que experimentos controlados podem ser conduzidos para gerar aprendizado mais rápido e com risco limitado?
- Que processos demandam ajustes imediatos para mitigar o impacto do problema, mesmo antes da solução completa?
Essa lógica de evolução progressiva permite que a empresa avance mesmo quando o cenário inicial é de baixa clareza, reduzindo o espaço para tentativas dispersas e para a sensação de que “já se tentou de tudo”.
Um convite à reflexão
No caso mencionado no início, a combinação entre método, disciplina de execução e aprendizado contínuo permitiu direcionar os esforços para ações que trariam resultados. Essa trajetória reforça a importância do papel do consultor em apoiar a empresa na construção de uma resposta própria e sustentável, organizando o processo de análise e decisão, e não ocupar o protagonismo que pertence à organização.
Sempre existem temas na empresa que precisam de um novo olhar. Algumas perguntas podem apoiar a reflexão sobre o momento certo de encarar desafios de uma forma diferente:
- Que questões, na sua empresa, vêm sendo tratadas há anos sem que se observe uma mudança estrutural de cenário?
- Quanta energia está sendo direcionada a iniciativas pontuais, sem um método claro, sem foco consistente e sem uma visão integrada da situação?
- Quando foi a última vez que um olhar externo ajudou sua organização a enxergar aspectos que a rotina tinha deixado de evidenciar?
Em muitos casos, o ponto de partida para resolver problemas antigos não é dispor da resposta correta, mas reconhecer os limites do conhecimento atual, criar condições para investigar com rigor e combinar, de forma estruturada, o conhecimento interno e a visão externa. A partir dessa combinação, tornam-se visíveis alternativas que, de dentro, muitas vezes permanecem fora do campo de visão.
Por Henrique Bacellar, Gerente de Projeto da Pratika